Caminho de deserto e sinais da graça
Eis que faço coisa nova. Agora mesmo ela está saindo à luz. Isaías 43.19
Esta edição atravessa o tempo de Quaresma, que nos conduz outra vez ao deserto, onde aprendemos que a fé não se renova sem a passagem, em silêncio, sem entrega. Não há atalhos para percorrer este caminho. É na poeira do caminho que reconhecemos nossas fragilidades, nossas sedes e nossos limites – e justamente ali ouvimos a promessa: “O deserto e a terra seca se alegrarão; o ermo exultará e florescerá como o narciso” (Isaías 35.1). A revitalização da fé nasce quando descobrimos que Deus pode fazer brotar vida até o espaço de sequidão do nosso coração.
Neste tempo de Quaresma, somos convidados a seguir Jesus rumo à Cruz e compreendermos que o deserto não é punição, mas lugar de reencontro e de revitalização. Ele nos chama a confrontar o que está errado, a desapegar do que é supérfluo e a permitir que a graça abra espaço para o novo. A esperança não é ilusão: ela se ancora na palavra daquele que afirma: “Eu sou a ressurreição e a vida” (João 11.25). Na presença de Cristo, a fé ressequida encontra o orvalho que a desperta de novo.
Por isso caminhamos com expectativa. A cada passo, aumenta nossa expectativa com a manhã da Páscoa que se aproxima, e com ela a certeza de que aquilo que parecia estéril pode florescer outra vez. A equipe de no Cenáculo deseja que neste período quaresmal sejamos chamados a deixar que Deus revitalize nossa fé, restaurando o que se partiu e reacendendo o que se apagou.
Que este tempo sagrado abra em nós caminhos e renove a alegria de seguir o Cristo que, no fim do deserto, nos conduz à luz da Ressurreição.
Com desejos de bênçãos,
Nicanor Lopes
Editor



